Notas sobre notas

Às vezes, em casa, você olha o violão e parece que suas possibilidades com ele são ínfimas, porque você só tem quatro dedos pra segurar as cordas, e aí você fica tentando multiplicar esses dedos com pestanas e posições improváveis. Depois você percebe que, na verdade, os quatro dedos, mais os da outra mão, são suficientes pra expressar o que você tem pra expressar no instrumento.


Mas acho que as coisas estão além disso, não importa conseguir fazer falarem várias notas juntas ou uma depois da outra muito rápidas, mas sim qual é a nota que vem antes e qual é a nota que vem depois e quais são as notas que vêm juntas.


Cada uma das casas em que você coloca o dedo faz um som, mas esse som, sozinho, não significa muita coisa. Aí então você faz outro som, e o primeiro olha pro segundo e o segundo olha pro primeiro e algo acontece. Ou então você coloca um dedo em uma casa e outro dedo em outra e faz os sons surgirem juntos, e aí não existe mais nem o primeiro nem o segundo, mas um terceiro som que é os dois primeiros juntos.


É como se cada uma das notas fossem uma palavra ou algo do tipo. Você pode fazer coisas que saem meio piegas, por exemplo, se tocar o C, depois o Am, depois o F e o G. Ou você pode tocar o C, tirar um dedo do Am, e tocar um Asus2, depois, em vez do F, tocar o E e o G. E aí sai algo que meio que conta uma história de alguém que vai descobrindo coisas estranhas que acontecem. Ou você pode tocar um Am9, um E/G#, um A7/G, um Bb7M/F, um G/B um, C, um Bb e um E7 e contar parte de uma espécie de conto de fadas.


Os dedos te servem, depende da história que você quer contar.



Mateus Albino


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