A fonte mínima de inspiração

Atualizado: 11 de Jun de 2020

Ontem fui pra cama com Keith Richards, quantas pessoas podem dizer isso? É um cara legal, não conversamos muito. Somos de épocas muito diferentes. Ele do pós-guerra eu da pós-graduação. Já estou quase na metade da biografia e ainda não entendo como o Keith consegue beber tanto do blues. Uma única fonte, ainda que inesgotável, é furada. Eu mesmo não trabalho com menos de duas telas, duas caixas, duas mídias. Dois é o mínimo.

É uma loucura cara, já escutei 3 podcasts só

hoje e fiz até o meu próprio!


Beber de uma única fonte é cilada. Imagina enfiar a cara na cuia desse jeito, sem o menor cuidado, a maior burrice. Mas misture demais e vai acabar ficando bêbado.


Volta e meia eu me volto para dentro, pra minha fonte. Fico vesgo e tudo, até aparentar só o branco dos olhos. Vejo toda aquela poeira. Assopro umas teias inspirando bem forte, elas acabam se desfazendo, mas eu sei que daqui umas horas pode ser que elas voltem. Mantenho a constância.


Leio menos do que queria, mas poxa, eu leio. Risco e arrisco partituras. Coloco minhas mãos no teclado musical e…. não vem, sabe… aquela vontade dos captadores. Mas quando pego na guitarra eu paro no tempo. É tempo de compor, é tempo de estudar, é tempo de sentir o tempo. Luis Vidal



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